quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Querido diário (?)


Será que agora vai? Será então que agora eu me domo e me pertenço a mim mesmo? Claro que não, ainda estou longe de ser tão meu, mas eu me aproximo, nem que seja para desviar e sair pela tangente. As coisas vão e vêm, circulam, dão a ré e desabam no mesmo ponto de partida. Mas agora eu tenho a vantagem de já saber que as coisas vêm em ondas, em montanhas, com seus vales e suas cristas. Com suas depressões e seus ápices. No sentido mais restrito.

Porque isso é viver, certo? Estou cumprindo com o que eu falei: de que ser como um muro me soa mal. Talvez eu não soubesse a metáfora naqueles tempos, mas o sentimento permanece. Só vive quem sente, e eu senti, não foi? Talvez não a Euforia tão faiscante de meses atrás, mas ainda assim sentimentos. Pútridos, asfixiantes e vazios. Mas eles são necessários, para eu ver o que é bom, não, é? Fica essa dúvida no lugar de uma certeza.

Para o meu próprio registro, eu tenho a consciência da minha culpa e da minha inocência. Plantei tudo que havia de podre em mim só para ver as raízes crescerem e se multiplicarem, para ver a terra se abrindo para o que não era suave dentro de mim. Ainda me assusta me ouvir, mas eu acho que isso é necessário: como a febre antes da melhora. Eu preciso acabar com a ilusão de que todos são bons e legais. Claro que a vida é cheia de gente legal, mas eu preciso olhar melhor: É o mesmo paradigma de ou se olhar o chão, ou se olhar as estrelas. Eu não quero cair, sério, não de novo, mas a emoção do tropeço é divertida, e o céu? O Céu é bonito demais para eu deixar de vê-lo - arrisco então, uma queda uma vez ou outra.

Então acho que volto a brincar de faz-de-conta, embora - cara - como uma DR seja útil. Só espero sinceramente que a bagunça acabe logo. Eu quero que a poeira sente. Que a calmaria depois da tempestade venha. Que eu possa simplesmente acordar tarde num dia da semana. Sinto muita falta de alguns dos velhos tempos, onde havia mais estrelas, mais risos e mais da minha menina.

A primavera veio e, de fato, nenhuma comemoração em volta do Poste das Fitas. Isso me entristece um pouco já que as celebrações dos últimos dias foram frágeis, quebradiças e logo esquecidas. Então que a Lei se cumpra, que minha língua se salgue se for necessário, mas eu fiz o que achei certo (e errado) - só por que me pareceu o certo e por hora isso me basta. Ainda não sei como isso tudo vai acabar, tanto as minhas dívidas quanto os meus louros, e isso me preocupa um pouco. Mas por hora tudo bem: ainda tenho umas provas e uns testes, uns desafios e uns desejos, umas bobagens e um grande Passo e um grande Frio na Barriga. Então eu vou com calma, pisando com calma para não quebrar a camada de gelo da superfície e afundar no lodo abaixo dela.

                                                                                              - Seja o sabor final doce ou amargo, eu tô tentando ver como um piloto de avião. Obrigado Tiozinho da Banca Onde Eu Comprei Um Sorvete no Dia do ENEM: Vou tentar não ser um taxista.    

2 retorno(s):

Artemis disse...

Ser como um muro...acho que já ouvi essas palavras...

Vitor T. Freire disse...

Sim, e na época eu não sabia uma metáfora melhor e também entedi tudo errado sobre vc, mas é só o sentimento que permanece: que sentir um rebuliço é melhor do que não sentir nada. Desculpa mesmo se aquilo te chateou na época, eu não sou bom entender as pessoas, vc sabe, não sabe? :]

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